Ginecologia · 24 de jul. de 2026

DIU: tipos, formato e os sinais de rejeição (expulsão) que confundem muita mulher

Os dois tipos de DIU, o formato real do dispositivo, se ele tem metal e o que de fato acontece quando o corpo parece 'rejeitar' o DIU.

O DIU é um dos métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes que existem, com taxa de falha abaixo de 1% ao ano. Ainda assim, boa parte das dúvidas sobre ele não é sobre eficácia. É sobre o que está de fato acontecendo lá dentro, principalmente quando alguma coisa parece estranha depois da colocação.

Os dois tipos de DIU

O DIU de cobre não usa hormônio. Ele age liberando íons de cobre dentro do útero, o que cria um ambiente hostil para os espermatozoides, e pode ficar no lugar por até 10 anos.

O DIU hormonal libera uma dose baixa de levonorgestrel diretamente no útero. Isso costuma reduzir bastante o volume e a duração da menstruação, e em muitas mulheres o sangramento chega a parar completamente depois de alguns meses de uso. Dependendo do modelo, dura entre 5 e 8 anos.

Nenhum dos dois é hormonal por via sistêmica em doses altas, então os efeitos colaterais costumam ser bem mais discretos do que os de uma pílula anticoncepcional, por exemplo.

Qual é o formato do DIU

Os dois tipos de DIU têm formato de T, com um corpo vertical e dois braços flexíveis nas laterais. Durante a inserção, esses braços ficam dobrados para dentro de um tubo aplicador bem fino, que passa pelo colo do útero. Assim que o aplicador é retirado, os braços se abrem sozinhos e o dispositivo assume a forma de T dentro da cavidade uterina, encaixando no formato natural do órgão.

Esse desenho não é estético. É funcional: o T ajuda o DIU a ficar centralizado e estável no fundo do útero, o que reduz bastante a chance de ele se deslocar sozinho.

O DIU Mirena tem metal?

Essa é uma dúvida mais comum do que parece, e a resposta costuma surpreender: o DIU hormonal não tem metal. O corpo dele é feito de polietileno, um tipo de plástico, com um reservatório interno de hormônio. Existe sim um componente de sulfato de bário misturado ao plástico, mas ele serve só para tornar o dispositivo visível em um raio-x, caso seja necessário localizá-lo por algum motivo.

Quem tem metal de verdade é o DIU de cobre, com um fio de cobre enrolado ao redor do corpo de plástico. É esse cobre que dá o efeito contraceptivo do dispositivo não hormonal.

O corpo pode rejeitar o DIU?

Aqui vale corrigir um mal-entendido bem espalhado. “Rejeição”, no sentido de o corpo atacar o DIU como se fosse um corpo estranho a ser combatido pelo sistema imunológico, não é o que acontece. O DIU não provoca esse tipo de resposta.

O que de fato pode acontecer, e é isso que a maioria das pessoas quer dizer quando fala em “rejeição”, é a expulsão: o dispositivo se move, parcial ou totalmente, para fora do lugar onde foi posicionado. É um evento mecânico, não imunológico, e acontece com mais frequência nos primeiros três meses após a inserção.

A expulsão é mais comum em alguns cenários específicos: mulheres que nunca tiveram filhos, inserção logo após o parto ou um aborto, ou histórico de cólica e sangramento menstrual mais intensos que a média. Nenhum desses fatores impede o uso do DIU, mas ajuda a explicar por que algumas mulheres têm mais chance de passar por isso do que outras.

Sinais de expulsão do DIU de cobre e do hormonal

Os sinais de alerta são parecidos nos dois tipos, mas vale prestar atenção em detalhes diferentes dependendo do dispositivo:

A cordinha parece mais longa, mais curta, ou simplesmente não é mais sentida onde antes era. Cólica que não melhora com o passar do tempo, ou que piora em vez de diminuir. O parceiro sente a ponta rígida do dispositivo durante a relação sexual. Sangramento fora do padrão que a mulher já conhece do próprio corpo.

No DIU de cobre, que já costuma causar cólica e fluxo mais intensos por conta própria, uma expulsão pode demorar mais para ser percebida, já que os sintomas se parecem com o que a mulher já esperava sentir. O sinal mais confiável nesse caso é a dor continuar piorando além do período normal de adaptação, que costuma durar poucos meses.

No DIU hormonal, o padrão costuma ser o oposto. Como o sangramento tende a diminuir com o tempo, o retorno de cólica ou sangramento depois de meses sem problema nenhum chama mais atenção, e merece ser investigado.

Em qualquer um dos casos, o exame de ultrassom resolve a dúvida rapidamente, confirmando se o DIU está na posição certa ou não.

Para que serve a cordinha do DIU

A cordinha é um fio fino, preso à base do dispositivo, que passa pelo colo do útero e termina na parte de cima da vagina, cortado bem curto pela ginecologista no momento da inserção.

Ela tem duas funções práticas. A primeira é permitir que a própria mulher, ou a médica durante um exame de rotina, confirme que o DIU segue no lugar certo. A segunda é facilitar a remoção do dispositivo quando chegar a hora, sem precisar de um procedimento mais invasivo.

Uma cordinha bem cortada não costuma incomodar no dia a dia nem durante a relação sexual. Se você ou seu parceiro sentirem a cordinha de um jeito diferente do habitual, ou não conseguirem mais senti-la, vale marcar uma consulta para checar a posição do DIU.

Coloquei DIU e não paro de sangrar. É normal?

Sangramento irregular, incluindo escape fora do período menstrual, é comum nos primeiros três a seis meses depois da inserção, principalmente com o DIU hormonal. É o corpo se ajustando à presença do dispositivo, e na grande maioria dos casos o padrão se estabiliza sozinho com o tempo, muitas vezes evoluindo para um fluxo bem mais leve do que antes.

Isso não significa que qualquer sangramento deva ser simplesmente ignorado. Sangramento muito intenso, dor forte que não passa com analgésico comum, febre, ou um padrão irregular que continua depois desse período inicial de adaptação são sinais para procurar avaliação, já que podem indicar desde uma expulsão parcial até outras causas sem relação nenhuma com o DIU.

Como é a inserção

Antes da colocação, a ginecologista costuma pedir um exame para descartar infecção ativa e confirmar o tamanho e a posição do útero, já que isso ajuda a escolher o modelo mais adequado.

O procedimento em si é feito em consultório e leva poucos minutos. A médica usa um espéculo para visualizar o colo do útero, mede a profundidade da cavidade uterina e insere o DIU já dobrado dentro do aplicador. Pode causar uma cólica incômoda durante a colocação e nas horas seguintes, parecida com uma cólica menstrual mais forte, que costuma passar em pouco tempo com um analgésico simples.

É comum a médica pedir um retorno em algumas semanas, só para confirmar que o dispositivo segue no lugar certo. Depois disso, o acompanhamento passa a ser o mesmo de qualquer consulta ginecológica de rotina, sem necessidade de exames extras só por causa do DIU.

Quando o DIU não é indicado

O método não é recomendado em alguns cenários específicos: infecção pélvica ativa ou recente, sangramento vaginal sem causa esclarecida, alguns tipos de câncer ginecológico, e certas alterações na forma do útero que impeçam o encaixe correto do dispositivo. Alergia ao cobre, embora rara, também contraindica o DIU não hormonal.

Nenhuma dessas situações costuma ser óbvia sem uma avaliação médica, o que reforça por que a escolha do método não deveria ser feita sozinha, com base só no que uma amiga usou ou no que apareceu em algum vídeo.

O DIU é indicado para quem nunca teve filhos?

Sim. Ao contrário do que muita gente ainda pensa, o DIU pode ser indicado para mulheres nulíparas, e não existe uma exigência de já ter engravidado antes para poder usar o método. A decisão sobre qual tipo de DIU faz mais sentido para o seu caso, e se ele é realmente a melhor opção entre os métodos disponíveis, deve ser tomada em consulta individual.

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Perguntas frequentes

O corpo pode rejeitar o DIU?

Rejeitar, no sentido de uma reação imunológica, não. O que acontece de fato é a expulsão: o dispositivo se desloca, parcial ou totalmente, para fora da posição correta dentro do útero. É um evento mecânico, não uma resposta do sistema imune.

Quais são os sintomas de rejeição do DIU?

Os sinais de expulsão incluem cólica que não melhora com o tempo, a cordinha parecendo mais longa, mais curta ou simplesmente sumindo, o parceiro sentindo o dispositivo durante a relação e sangramento fora do padrão habitual. Qualquer um desses sinais é motivo para marcar uma consulta.

Os sintomas de rejeição são diferentes no DIU de cobre?

Os sinais são parecidos, mas como o DIU de cobre já costuma causar mais cólica e fluxo mais intenso, uma expulsão pode passar despercebida por mais tempo. Piora progressiva da dor, além do período normal de adaptação, é o alerta mais confiável.

E no DIU hormonal (Mirena)?

Como o DIU hormonal tende a reduzir o sangramento com o tempo, o sinal mais claro costuma ser o oposto: cólica ou sangramento que voltam depois de já terem diminuído, ou que aparecem do nada depois de meses sem problema nenhum.

O DIU Mirena tem metal?

Não. O corpo do DIU hormonal é de plástico (polietileno), com um pouco de sulfato de bário misturado para aparecer no raio-x. Metal de verdade, no caso o cobre, só existe no DIU não hormonal.

Qual é o formato do DIU?

Os dois tipos têm formato de T. Os braços flexíveis ficam dobrados dentro de um aplicador fino durante a inserção e se abrem sozinhos assim que o dispositivo chega ao fundo do útero, encaixando na forma da cavidade uterina.

Para que serve a cordinha do DIU?

A cordinha fica presa à base do dispositivo e passa pelo colo do útero, terminando na parte alta da vagina, cortada bem curta. Ela serve para confirmar que o DIU está no lugar certo e para permitir a remoção do dispositivo quando for necessário.

Coloquei DIU e não paro de sangrar. Isso é normal?

Sangramento irregular nos primeiros três a seis meses é comum, principalmente com o DIU hormonal, enquanto o corpo se adapta. Se o sangramento for muito intenso, vier acompanhado de dor forte ou febre, ou continuar depois desse período, vale procurar avaliação.

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